a.mi.za.de sf. Sentimento fiel de afeição, apreço, estima ou ternura entre pessoas
fra.ter.ni.da.de sf. 1. Parentesco de irmãos. 2. Amor ao próximo. 3. Harmonia, concórdia.
sa:u.da.de sf.Lembrança melancólica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa(s) ou coisa(s) distante(s) ou extinta(s).
Definir uma palavra com a ajuda de um dicionário é muito simples. Difícil é explicar a intensidade dela na nossa vida.
Sentimentos de amizade e fraternidade são muito mais do que simples verbetes. São pessoas, lugares, memórias, cheiros, risadas e sensações acumuladas e misturadas através dos anos de tal forma que a gente nunca vai conseguir descrever. São significados, tentativas de explicar o que sentimos por pessoas que são a parte mais importante de nós. As pessoas que cresceram com a gente, que estão do nosso lado quando a gente ri, quando a gente chora, quando a gente não sabe como voltar para casa, quando a gente vê a morte de perto, quando a gente precisa de um esporro ou quando a gente só quer jogar conversa fora. A palavra é simples, o sentimento é muito complexo.
Mas ainda mais complexa é a saudade. Aquela que a gente sente quando uma dessas pessoas está longe. Ter que se contentar com a lembrança nunca é o suficiente quando os sentimentos de fraternidade e amizade são tão fortes dentro da gente que são parte da nossa identidade. Mas quando a presença finalmente substitui a lembrança, a saudade vai embora. A amizade e a fraternidade fazem com que ela seja só uma lembrança.
Enquanto isso não acontece, a amizade e a fraternidade ficam fazendo companhia. Consolam, lembrando a gente de que o alvo dessas emoções está sentindo a mesma coisa. E torcendo, junto com o resto da gente, pra saudade virar logo lembrança.
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terça-feira, 16 de março de 2010
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Rewind
Então, depois de um longo e tenebroso inverno, um post. Sim, meu povo, é verdade. E dessa vez um post diferente. Esse texto que tá aqui embaixo não é meu nem da Lu, então vale deixar os créditos à devida autora. Kudos where it is due. Bom, a distinta mocinha que escreveu foi a Claudia, vocês já devem ter lido os comentários dela aqui no Jesus de Suspensórios. A Claudia também tem uma certa queda pelos livros e eu gosto muito de como ela escreve, e acho que, inclusive, casa muito com o meu jeito e o da Lu então, lá vai. Ela me mandou esse texto e acho muito válido colocar ele aqui. So, without further ado, Rewind:
Ao longo da minha vida, algumas vezes me disseram que eu faço o que eu quero, sem muito me preocupar com os outros ou com a opinião dos mesmos. Fazendo uma leve retrospectiva, é verdade. Fiz o que quis, falei o que quis e agi como quis grande parte da minha vida. Assumi as responsabilidades dos meus atos todas as vezes também. Porque, obviamente, ninguém sai por aí fazendo o que quer e em momento nenhum é cobrado pelas conseqüências do que faz. Quando me importei, ou acreditei estar errada, fui lá e tentei ajustar as coisas, do contrário, vida que segue e aos que doeram, enfim, só tenho a lamentar.
Largando assim parece que eu sou de uma tremenda escrotice. Não é bem assim, eu não saio por aí cagando a vida de todo mundo só pra me fazer feliz. Eu tenho juízo, respeito as pessoas, sigo as leis e pretendo um dia pagar meus impostos, só não deixo de fazer as coisas porque os outros vão pensar assim ou assado de mim.
Aí rolou essa introdução toda pra que? Pra contar que esse ano cagou toda a minha expectativa de continuar levando a minha vida numa boa.
No início de Julho desse ano, eu tinha altas expectativas, momentos decisivos, mas as coisas não saíram exatamente como o esperado. Porém, o que me conforta é que apesar do ano ruim, eu tive minhas conquistas ao longo da minha vida. Eu fiz o que eu quis inúmeras vezes, o que me deixa um pouco mais tranqüila por não estar fazendo agora exatamente o que eu queria.
Mas, qual é a importância disso pra quem tá lendo esse post? Na verdade, verdade mesmo, nenhuma. No entanto, esse foi o primeiro ano que eu achei válida uma retrospectiva. E queria poder ler isso em 2010, quando creio eu, estarei muito melhor. E se é que não ficou claro, não, nunca me arrependi de absolutamente nada que fiz. Sim, eu magoei algumas pessoas e pra isso serve o “Desculpas, aí.”, eu ultrapassei alguns limites, mas aprendi com cada cagada e no fim é isso, eu não tô com tudo tudo que eu queria na mão e muitas vezes não sei lidar com isso, mas do meu jeitinho eu continuo fazendo a vida me divertir.
Ao longo da minha vida, algumas vezes me disseram que eu faço o que eu quero, sem muito me preocupar com os outros ou com a opinião dos mesmos. Fazendo uma leve retrospectiva, é verdade. Fiz o que quis, falei o que quis e agi como quis grande parte da minha vida. Assumi as responsabilidades dos meus atos todas as vezes também. Porque, obviamente, ninguém sai por aí fazendo o que quer e em momento nenhum é cobrado pelas conseqüências do que faz. Quando me importei, ou acreditei estar errada, fui lá e tentei ajustar as coisas, do contrário, vida que segue e aos que doeram, enfim, só tenho a lamentar.
Largando assim parece que eu sou de uma tremenda escrotice. Não é bem assim, eu não saio por aí cagando a vida de todo mundo só pra me fazer feliz. Eu tenho juízo, respeito as pessoas, sigo as leis e pretendo um dia pagar meus impostos, só não deixo de fazer as coisas porque os outros vão pensar assim ou assado de mim.
Aí rolou essa introdução toda pra que? Pra contar que esse ano cagou toda a minha expectativa de continuar levando a minha vida numa boa.
No início de Julho desse ano, eu tinha altas expectativas, momentos decisivos, mas as coisas não saíram exatamente como o esperado. Porém, o que me conforta é que apesar do ano ruim, eu tive minhas conquistas ao longo da minha vida. Eu fiz o que eu quis inúmeras vezes, o que me deixa um pouco mais tranqüila por não estar fazendo agora exatamente o que eu queria.
Mas, qual é a importância disso pra quem tá lendo esse post? Na verdade, verdade mesmo, nenhuma. No entanto, esse foi o primeiro ano que eu achei válida uma retrospectiva. E queria poder ler isso em 2010, quando creio eu, estarei muito melhor. E se é que não ficou claro, não, nunca me arrependi de absolutamente nada que fiz. Sim, eu magoei algumas pessoas e pra isso serve o “Desculpas, aí.”, eu ultrapassei alguns limites, mas aprendi com cada cagada e no fim é isso, eu não tô com tudo tudo que eu queria na mão e muitas vezes não sei lidar com isso, mas do meu jeitinho eu continuo fazendo a vida me divertir.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Telemarketing merece a morte
OK então.
Vamos deixar uma coisa bem clara aqui, mocinha-da-Claro: Você vem tentando me ligar desde sábado, e quando finalmente consegue, é estúpida. Acredito que, se você está me importunando, você deveria ser, para dizer o mínimo, educada.
A conversa se seguiu assim:
Eu: "Alô?"
Mocinha-da-Claro: "Boa tarde, eu sou fulana de tal da Claro, com quem eu falo?"
Eu: "Ana Carolina"
Mocinha-da-Claro: "Senhora Ana Carolina, estou ligando para oferecer alguns serviços e promoções..."
Eu: "Obrigada, mas eu não estou interessada"
Mocinha-da-Claro: "Mas como você não está interessada se você ainda nem sabe o que é?"
Eu: "Estou satisfeita na minha companhia, não pretendo trocar."
E então ela desliga o telefone na minha cara.
Gata, eu não tenho culpa se você escolheu um emprego escroto que não te satisfaz. Não posso fazer nada se você está de mal humor. Não tenho nada a ver com a sua vida, não posso te julgar. Mas a partir do momento que você me liga, interrompe seja lá o que for que eu estou fazendo e começa a falar de forma ininterrupta sobre alguma coisa que eu não pedi pra saber, quem deveria ficar irritada era eu, e não você.
Estamos entendidas? Espero que sim, porque eu também sei ser bem grossa quando eu preciso, ok?
Vamos deixar uma coisa bem clara aqui, mocinha-da-Claro: Você vem tentando me ligar desde sábado, e quando finalmente consegue, é estúpida. Acredito que, se você está me importunando, você deveria ser, para dizer o mínimo, educada.
A conversa se seguiu assim:
Eu: "Alô?"
Mocinha-da-Claro: "Boa tarde, eu sou fulana de tal da Claro, com quem eu falo?"
Eu: "Ana Carolina"
Mocinha-da-Claro: "Senhora Ana Carolina, estou ligando para oferecer alguns serviços e promoções..."
Eu: "Obrigada, mas eu não estou interessada"
Mocinha-da-Claro: "Mas como você não está interessada se você ainda nem sabe o que é?"
Eu: "Estou satisfeita na minha companhia, não pretendo trocar."
E então ela desliga o telefone na minha cara.
Gata, eu não tenho culpa se você escolheu um emprego escroto que não te satisfaz. Não posso fazer nada se você está de mal humor. Não tenho nada a ver com a sua vida, não posso te julgar. Mas a partir do momento que você me liga, interrompe seja lá o que for que eu estou fazendo e começa a falar de forma ininterrupta sobre alguma coisa que eu não pedi pra saber, quem deveria ficar irritada era eu, e não você.
Estamos entendidas? Espero que sim, porque eu também sei ser bem grossa quando eu preciso, ok?
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Das coisas que a gente precisa.
Segunda-feira passada, meu computador foi diagnosticado com falência geral do processador. Ótimo momento para ele travar. Na reta final da monografia. Ótimo. Aliás, chega a ser engraçado. Mas enfim, lá foi ele para o conserto, com a promessa de sair do cti e retornar ao meu quarto na quarta-feira.
Mas isso não aconteceu. Liguei para o responsável pelo conserto do meu filhotinho, que há tão pouco tempo havia ganhado uma cirurgia plástica e tava de cara nova literalmente. Um monitor de lcd, 19 polegadas, lindo. Após a ligação soube que ele voltaria na sexta-feira.
Na quinta-feira pela manhã, me dirigi ao Centro da Cidade, para utilizar o computador da minha digníssima faculdade. E assim fiz. Após digitar coisas, modificar outras, salvei os respectivos arquivos no meu pen drive, para no dia seguinte passar tudo para o computador e assim seguir com a minha vida. Nada poderia dar errado, certo? Errado.
Na sexta-feira, no horário marcado para a chegada do tão esperado computador eu estava em casa com flores, bombons e um enorme sorriso no rosto. Pessoas haviam me ligado para saber se ele já havia chegado. Mensagens de texto foram enviadas e recebidas. E nada. Na-da.
Aquilo foi devastador. Acabou comigo.
Eram onze horas da noite quando saí de casa, peguei meu Celta prata e me dirigi à Botafogo, para afogar minhas mágoas com alguns amigos. Havia combinado de encontrá-los no Humaitá às onze e meia. Na realidade, eu havia saído com bastante antecedência, visto que o Humaitá é a dez minutos da minha residência, e mesmo assim não consegui chegar no horário marcado. Uma blitz. Uma blitz monstra. Uma blitz tão grande que não cabia no enquadramento do meu pára-brisa. Aquilo era um evento. Havia balões infláveis com os dizeres: "Lei Seca - Eu apóio", luzes piscando e muitas, muitas buzinas, que tocavam alternadamente, é claro, fazendo com que eu perguntasse a Deus por que eu não havia nascido surda. Depois de muito esperar, consegui chegar ao meu destino. Encontrei meus amigos, afoguei minhas mágoas, e voltei para buscar meu carro acreditando que a noite havia sido agradável e que as coisas ruins iriam acabar. Claro que não. Haviam arrombado meu carro, é claro. O vidro estava todo estilhaçado e havia um buraco no meio. Sim, um buraco. No meio do meu vidro. Do meu vidro.
Aquilo foi demais para mim. Abri a porta e verifiquei que meu som ainda estava ali. Firme e forte. Um pouco traumatizado, é claro. Como já esperava estava tudo revirado. Meu porta-luvas não portava mais nada, as coisas que estavam na mala, agora se encontravam no banco do carona e meus cd's estavam minuciosamente espalhados pelo chão, posso até afirmar que o Chico Buarque tentou arrancar com o carro, visto que o mesmo estava apoiado no acelerador. Comecei a recolher as coisas, embalada por inúmeros palavrões que é melhor não citar aqui, e fui checar o que estava faltando. É claro que alguma coisa tinha que estar faltando. Foi quando me dei conta de uma coisa que não estava mais entre nós. Uma coisa pequena por fora, mas grande por dentro. Exatamente 1Gb. O meu pen-drive.
O mesmo que portava com tanta segurança o meu projeto final da faculdade. O mesmo que no dia anterior havia me acompanhado a um computador desconhecido na faculdade e salvo meus arquivos modificados. O meu fiel companheiro havia sido levado, e aquilo foi a gota d'água. Por alguns minutos me transformei num monstro no meio de Botafogo. Fui dominada por um ódio que há muito tempo não sentia. Gritei palavrões que jamais havia gritado.
Xinguei o governo e senti vergonha da minha cidade. Iniciei um questionamento em voz alta a esse "Choque de Ordem", que nada ordena. Um questionamento aos impostos que são pagos por mim por possuir um carro, aos inúmeros dois reais pagos a Prefeitura toda vez que estaciono no espaço público da cidade, e no final me vi assistida pelos meus amigos e por um mendigo, que me olhava bastante assustado. Daí parei. Me despedi dos meus amigos, e voltei para casa.
Passei meu final de semana pensando nisso. Na cara assustada daquele mendigo, que me olhava com desaprovação e receio.
Hoje já é segunda-feira e meu computador ainda não chegou. Deve voltar amanhã. E eu vou terminar a minha monografia. Vou reescrever tudo. Entregar na data certa. E vou me formar. Por que, por mais que isso pareça mais um caso dentre milhões de outros o que a gente precisa é de educação.
O rosto daquele mendigo não me engana. Exclusão digital é foda.
Pelo menos eu ainda tenho saúde.
Ainda.
Mas isso não aconteceu. Liguei para o responsável pelo conserto do meu filhotinho, que há tão pouco tempo havia ganhado uma cirurgia plástica e tava de cara nova literalmente. Um monitor de lcd, 19 polegadas, lindo. Após a ligação soube que ele voltaria na sexta-feira.
Na quinta-feira pela manhã, me dirigi ao Centro da Cidade, para utilizar o computador da minha digníssima faculdade. E assim fiz. Após digitar coisas, modificar outras, salvei os respectivos arquivos no meu pen drive, para no dia seguinte passar tudo para o computador e assim seguir com a minha vida. Nada poderia dar errado, certo? Errado.
Na sexta-feira, no horário marcado para a chegada do tão esperado computador eu estava em casa com flores, bombons e um enorme sorriso no rosto. Pessoas haviam me ligado para saber se ele já havia chegado. Mensagens de texto foram enviadas e recebidas. E nada. Na-da.
Aquilo foi devastador. Acabou comigo.
Eram onze horas da noite quando saí de casa, peguei meu Celta prata e me dirigi à Botafogo, para afogar minhas mágoas com alguns amigos. Havia combinado de encontrá-los no Humaitá às onze e meia. Na realidade, eu havia saído com bastante antecedência, visto que o Humaitá é a dez minutos da minha residência, e mesmo assim não consegui chegar no horário marcado. Uma blitz. Uma blitz monstra. Uma blitz tão grande que não cabia no enquadramento do meu pára-brisa. Aquilo era um evento. Havia balões infláveis com os dizeres: "Lei Seca - Eu apóio", luzes piscando e muitas, muitas buzinas, que tocavam alternadamente, é claro, fazendo com que eu perguntasse a Deus por que eu não havia nascido surda. Depois de muito esperar, consegui chegar ao meu destino. Encontrei meus amigos, afoguei minhas mágoas, e voltei para buscar meu carro acreditando que a noite havia sido agradável e que as coisas ruins iriam acabar. Claro que não. Haviam arrombado meu carro, é claro. O vidro estava todo estilhaçado e havia um buraco no meio. Sim, um buraco. No meio do meu vidro. Do meu vidro.
Aquilo foi demais para mim. Abri a porta e verifiquei que meu som ainda estava ali. Firme e forte. Um pouco traumatizado, é claro. Como já esperava estava tudo revirado. Meu porta-luvas não portava mais nada, as coisas que estavam na mala, agora se encontravam no banco do carona e meus cd's estavam minuciosamente espalhados pelo chão, posso até afirmar que o Chico Buarque tentou arrancar com o carro, visto que o mesmo estava apoiado no acelerador. Comecei a recolher as coisas, embalada por inúmeros palavrões que é melhor não citar aqui, e fui checar o que estava faltando. É claro que alguma coisa tinha que estar faltando. Foi quando me dei conta de uma coisa que não estava mais entre nós. Uma coisa pequena por fora, mas grande por dentro. Exatamente 1Gb. O meu pen-drive.
O mesmo que portava com tanta segurança o meu projeto final da faculdade. O mesmo que no dia anterior havia me acompanhado a um computador desconhecido na faculdade e salvo meus arquivos modificados. O meu fiel companheiro havia sido levado, e aquilo foi a gota d'água. Por alguns minutos me transformei num monstro no meio de Botafogo. Fui dominada por um ódio que há muito tempo não sentia. Gritei palavrões que jamais havia gritado.
Xinguei o governo e senti vergonha da minha cidade. Iniciei um questionamento em voz alta a esse "Choque de Ordem", que nada ordena. Um questionamento aos impostos que são pagos por mim por possuir um carro, aos inúmeros dois reais pagos a Prefeitura toda vez que estaciono no espaço público da cidade, e no final me vi assistida pelos meus amigos e por um mendigo, que me olhava bastante assustado. Daí parei. Me despedi dos meus amigos, e voltei para casa.
Passei meu final de semana pensando nisso. Na cara assustada daquele mendigo, que me olhava com desaprovação e receio.
Hoje já é segunda-feira e meu computador ainda não chegou. Deve voltar amanhã. E eu vou terminar a minha monografia. Vou reescrever tudo. Entregar na data certa. E vou me formar. Por que, por mais que isso pareça mais um caso dentre milhões de outros o que a gente precisa é de educação.
O rosto daquele mendigo não me engana. Exclusão digital é foda.
Pelo menos eu ainda tenho saúde.
Ainda.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Distração Impressionista
O trânsito estava engarrafado, chovia, fazia frio e o ônibus estava cheio. A irritação era inevitável. Pelo menos conseguira um assento vazio, na janela. Tentava ler, em vão, uma vez que duas senhoras sentadas no banco de trás conversavam muito alto. O cansaço de um dia inteiro pesava nas costas. Parou a leitura infrutífera para olhar pela janela. Viu que a combinação das nuvens carregadas com os últimos e derradeiros raios de sol refletidos na água criava cores e tons maravilhosos. As montanhas e o mar assumiram um lindo tom de azul escuro e o céu parecia rosa em alguns pontos, laranja em outros e pontilhado de amarelo. Percebeu que parecia uma pintura impressionista, digna de um dos grandes mestres como Monet ou Degas.
A beleza e efemeridade da situação criaram uma breve distração do trânsito, da chuva, do frio, do ônibus cheio e das senhoras faladeiras. Uma breve distração.
A beleza e efemeridade da situação criaram uma breve distração do trânsito, da chuva, do frio, do ônibus cheio e das senhoras faladeiras. Uma breve distração.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Animais "Racionais"
Policial atira e mata jovem desarmado e algemado nos Estados Unidos. Rússia interrompe envio de gás para mais de dez países em pleno inverno europeu, fazendo com que pessoas morram de frio. Israel e Palestina continuam se explodindo e mais de mil pessoas já morreram.
É, a cada dia que passa eu gosto menos de gente e mais dos animais.
É, a cada dia que passa eu gosto menos de gente e mais dos animais.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Ninguém é normal
A loucura depende do ponto de vista e do momento. Nem toda loucura será condenada. Existem coisas que parecem perfeitamente normais no senso comum e que, para mim, são completamente insanas. E vice-versa. Sei muito bem que muitas das coisas que digo e que faço são consideradas, para dizer o mínimo, estranhas. Não que eu me importe, quem me conhece que me compre. Quem me cerca sabe lidar comigo e sabe muito bem que todas as minhas loucuras são justificáveis e justificadas.
Não, não estou tentando me explicar, muito menos me eximir de qualquer culpa. Claro que somos responsáveis por todos os nossos atos e não pretendo me desculpar ou solidarizar alguém com nada que eu tenha feito ou venha a fazer. Não sou uma dessas pessoas que ficam se lamentando das coisas que fazem. Também não sou dessas pessoas que dizem: “Só me arrependo do que não fiz”. Sou uma daquelas pessoas que mesmo quando sabem que fizeram algo errado - ou não tão correto – olham para trás, analisam a situação e seguem em frente, com um pouco mais de bagagem, sem se interessar muito pelas lamúrias do inconsciente. O que passou, passou e não vai adiantar muito ficar remoendo, pelo menos eu penso assim.
Também sou uma daquelas pessoas que, apesar disso, caem no mesmo erro às vezes. Estou falando de errar com pessoas. Por vezes insisto nas pessoas erradas e o pior é que caio no mesmo erro sabendo que é errado. É insistência mesmo.
Talvez algumas pessoas considerem isso loucura, mas e daí? Quem sou eu para dizer o que é certo e o que é errado? Não posso julgar ninguém, e nem gosto que me julguem, então só aceito de bom grado qualquer coisa que tenham a dizer.
Talvez isso sim seja loucura.
Não, não estou tentando me explicar, muito menos me eximir de qualquer culpa. Claro que somos responsáveis por todos os nossos atos e não pretendo me desculpar ou solidarizar alguém com nada que eu tenha feito ou venha a fazer. Não sou uma dessas pessoas que ficam se lamentando das coisas que fazem. Também não sou dessas pessoas que dizem: “Só me arrependo do que não fiz”. Sou uma daquelas pessoas que mesmo quando sabem que fizeram algo errado - ou não tão correto – olham para trás, analisam a situação e seguem em frente, com um pouco mais de bagagem, sem se interessar muito pelas lamúrias do inconsciente. O que passou, passou e não vai adiantar muito ficar remoendo, pelo menos eu penso assim.
Também sou uma daquelas pessoas que, apesar disso, caem no mesmo erro às vezes. Estou falando de errar com pessoas. Por vezes insisto nas pessoas erradas e o pior é que caio no mesmo erro sabendo que é errado. É insistência mesmo.
Talvez algumas pessoas considerem isso loucura, mas e daí? Quem sou eu para dizer o que é certo e o que é errado? Não posso julgar ninguém, e nem gosto que me julguem, então só aceito de bom grado qualquer coisa que tenham a dizer.
Talvez isso sim seja loucura.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
S.O.S.
Preciso que você saiba de algumas coisas. Antes de qualquer coisa, sinto como se estivéssemos “renovando nossos votos”. Estamos realmente tentando nos reaproximar e recuperar o tempo perdido? Será que estamos fazendo tudo isso para, não sei, nos desculparmos de forma inconsciente, por coisas que não são necessariamente erradas, mas que sabemos, também não são certas?
Bem, não sei, mas o que queria dizer principalmente é: tenho usado isso a meu favor, então, por favor, colabore. Preciso que me ajude, que não se esqueça dos seus compromissos e das promessas feitas, inclusive as não-ditas. Não me faça sonhar e ignore minha empolgação.
Não diminua minhas necessidades. Existem coisas que para mim fazem muito sentido e muita falta. Talvez não para você, você tem outras coisas com as quais se preocupar, mas eu não. Sou obsessiva. Obsessiva e com muito tempo nas mãos. Portanto, mantenha sua palavra. Cumpra suas promessas. Não minta para mim. Colabore comigo. E vamos ver até que ponto vamos sem nos desculparmos.
Bem, não sei, mas o que queria dizer principalmente é: tenho usado isso a meu favor, então, por favor, colabore. Preciso que me ajude, que não se esqueça dos seus compromissos e das promessas feitas, inclusive as não-ditas. Não me faça sonhar e ignore minha empolgação.
Não diminua minhas necessidades. Existem coisas que para mim fazem muito sentido e muita falta. Talvez não para você, você tem outras coisas com as quais se preocupar, mas eu não. Sou obsessiva. Obsessiva e com muito tempo nas mãos. Portanto, mantenha sua palavra. Cumpra suas promessas. Não minta para mim. Colabore comigo. E vamos ver até que ponto vamos sem nos desculparmos.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Andar na beira do mar
Andar na beira do mar, pés encostando na água gelada, ondas indo e vindo, batendo na pele. Ficar parada onde o mar se junta à areia é divertido: se ficar tempo o suficiente na mesma posição, parece que a gente vai afundando, afundando, afundando... É uma sensação muito divertida. Traz pensamentos bons, que surgem sozinhos, sem a necessidade de a gente tentar resgatá-los. Parece uma equação: pés + (água X areia) = pensamentos bons. É automático. Lembra infância. Lembra leveza. Lembra liberdade.
Não que eu fosse uma criança que vivia na praia. Pelo contrário, aliás. Nem quando criança, nem depois de adulta. Simplesmente não sou uma pessoa de praia. Mas essa é uma sensação que até hoje eu gosto muito, mesmo que não suporte aquele ambiente (e não suporto, preciso ser honesta). É engraçado isso. Uma das coisas que eu mais detesto na praia é exatamente a areia. Principalmente quando a areia molha e gruda na pele, dá a impressão de que não sai nunca e a gente parece um bife à milanesa.
Mas, vai entender. Gosto de ficar na beira do mar, sentindo a areia escorregar por baixo dos meus pés, me trazendo lembranças boas e sensação de leveza.
Resgatando memórias, como a de andar na beira do mar.
Não que eu fosse uma criança que vivia na praia. Pelo contrário, aliás. Nem quando criança, nem depois de adulta. Simplesmente não sou uma pessoa de praia. Mas essa é uma sensação que até hoje eu gosto muito, mesmo que não suporte aquele ambiente (e não suporto, preciso ser honesta). É engraçado isso. Uma das coisas que eu mais detesto na praia é exatamente a areia. Principalmente quando a areia molha e gruda na pele, dá a impressão de que não sai nunca e a gente parece um bife à milanesa.
Mas, vai entender. Gosto de ficar na beira do mar, sentindo a areia escorregar por baixo dos meus pés, me trazendo lembranças boas e sensação de leveza.
Resgatando memórias, como a de andar na beira do mar.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Meia Amazônia Não!
Já ouviram falar sobre o Meia Amazônia Não? Já assinaram? Tá bom, vou explicar.
Entrem no site http://meiaamazonianao.org.br/ e assinem a petição que quer combater o PL 6424/2005, que legaliza a derrubada de até 50% da vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia.
Eu sei que não é muito mas pelo menos estamos fazendo alguma coisa!
Eu já assinei.
Vamoaê galera!
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Fim do mundo
Parece o fim do mundo. Quando tudo dá errado e você sente como se não parasse de chover. Embora você saiba que não pode chover eternamente, a impressão é essa.
Você quer deitar, fechar os olhos e dormir ouvindo o barulho da chuva, mas você não consegue dormir. E a chuva é tão forte, com relâmpagos e trovoadas, que você se assusta.
E o pior de tudo é que você sente como se merecesse aquilo tudo, como se fosse justo. Como se aquela tempestade infinita fosse seu castigo. Então você abaixa a cabeça e aceita aquela tormenta que só atinge você.
Aceita o que parece ser o seu fim do mundo.
Você quer deitar, fechar os olhos e dormir ouvindo o barulho da chuva, mas você não consegue dormir. E a chuva é tão forte, com relâmpagos e trovoadas, que você se assusta.
E o pior de tudo é que você sente como se merecesse aquilo tudo, como se fosse justo. Como se aquela tempestade infinita fosse seu castigo. Então você abaixa a cabeça e aceita aquela tormenta que só atinge você.
Aceita o que parece ser o seu fim do mundo.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
O Ombro Amigo
Ela queria um ombro amigo. Só que não era qualquer ombro amigo, era um ombro específico. Mas não podia pedir, e sabia disso. Aquele era o único ombro que realmente a deixaria melhor, mas ela sabia muito bem que pedir aquele ombro amigo não era uma opção. Ela não podia, muito menos deveria, deixar aquele ombro mais preocupado com ela do que já era naturalmente.
Aquele ombro era provavelmente o que mais se importava e se preocupava com ela, afinal. Não era justo fazer isso. Além do mais, aquele ombro que era na verdade muito mais que amigo, se preocupava com muitas outras coisas, muito mais importantes do que um choramingo e um desabafo dela. Coisas realmente sérias, coisas tangíveis, coisas mais urgentes do que aquelas lágrimas. Lágrimas, é bem verdade, que andavam sendo muito vertidas por aí, embora aquele ombro não soubesse disso. Talvez não tivesse sido informado exatamente por ser um ombro tão importante que não pode se distrair de suas funções e se preocupar com coisas pequenas.
Mas cada vez mais ela sentia que precisava daquele ombro. Do ombro, do abraço, do colo, do “vai dar tudo certo”. Aquele ombro não foi sempre tão amigo, mas depois que passou a ser, virou o preferido dela. Sabia que provavelmente o ombro não soubesse que era tão importante assim, mas o considerava o melhor de todos.
Pensou em como acreditava profundamente nisso, mas nunca tinha dito. Perguntou-se se ele ao menos desconfiava da importância que tinha para ela, e percebeu que nunca demonstrou o quanto amava aquele ombro. Anotou mentalmente: “Mostrar antes que seja tarde”.
Foi então um pensamento ainda mais assolador caiu sobre ela: “Será que a recíproca é verdadeira? O ombro também acredita que não deve me preocupar com seus problemas? Será que meu ombro é importante para aquele ombro? Será que ele também me considera seu ombro preferido?”
Refletindo sobre o assunto percebeu que não era nada daquilo. Ou pelo menos não acreditava ser. Seu ombro era sempre muito requisitado, mas percebeu que nunca havia sido requisitado por aquele ombro específico. E esse pensamento a machucou mais ainda. Queria ser para aquele ombro o que ele era para ela.
Foi então que teve certeza. Certeza de estar mais em dúvida que antes sobre o que fazer. E de que, mais do que nunca, precisava de um ombro amigo.
Aquele ombro era provavelmente o que mais se importava e se preocupava com ela, afinal. Não era justo fazer isso. Além do mais, aquele ombro que era na verdade muito mais que amigo, se preocupava com muitas outras coisas, muito mais importantes do que um choramingo e um desabafo dela. Coisas realmente sérias, coisas tangíveis, coisas mais urgentes do que aquelas lágrimas. Lágrimas, é bem verdade, que andavam sendo muito vertidas por aí, embora aquele ombro não soubesse disso. Talvez não tivesse sido informado exatamente por ser um ombro tão importante que não pode se distrair de suas funções e se preocupar com coisas pequenas.
Mas cada vez mais ela sentia que precisava daquele ombro. Do ombro, do abraço, do colo, do “vai dar tudo certo”. Aquele ombro não foi sempre tão amigo, mas depois que passou a ser, virou o preferido dela. Sabia que provavelmente o ombro não soubesse que era tão importante assim, mas o considerava o melhor de todos.
Pensou em como acreditava profundamente nisso, mas nunca tinha dito. Perguntou-se se ele ao menos desconfiava da importância que tinha para ela, e percebeu que nunca demonstrou o quanto amava aquele ombro. Anotou mentalmente: “Mostrar antes que seja tarde”.
Foi então um pensamento ainda mais assolador caiu sobre ela: “Será que a recíproca é verdadeira? O ombro também acredita que não deve me preocupar com seus problemas? Será que meu ombro é importante para aquele ombro? Será que ele também me considera seu ombro preferido?”
Refletindo sobre o assunto percebeu que não era nada daquilo. Ou pelo menos não acreditava ser. Seu ombro era sempre muito requisitado, mas percebeu que nunca havia sido requisitado por aquele ombro específico. E esse pensamento a machucou mais ainda. Queria ser para aquele ombro o que ele era para ela.
Foi então que teve certeza. Certeza de estar mais em dúvida que antes sobre o que fazer. E de que, mais do que nunca, precisava de um ombro amigo.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Escritos
Ah, a escrita. Ah, escrever. Escrever é um exorcismo. Um exorcismo frustrante. É tentar pôr em palavras sentimentos que mal conseguimos compreender, quiçá descrever. É tentar falar aos outros mesmo quando você não os conhece. E é, ainda assim, muito bom. A escrita junta as pessoas, as que escrevem e as que lêem. Se sentem mais próximas, compartilhando um mesmo sentimento, como se houvesse ali uma relação de amizade.
Quem escreve sabe a satisfação que isso traz. A sensação de leveza, de alívio, como se você estivesse gritando para o mundo todos os seus problemas. Mesmo quando você escreve algo e guarda, ou simplesmente amassa e joga fora, mesmo que só você leia, o sentimento não tem preço. Sentir-se bem é só o que interessa.
Não há nada que se compare a escrever.
Quem escreve sabe a satisfação que isso traz. A sensação de leveza, de alívio, como se você estivesse gritando para o mundo todos os seus problemas. Mesmo quando você escreve algo e guarda, ou simplesmente amassa e joga fora, mesmo que só você leia, o sentimento não tem preço. Sentir-se bem é só o que interessa.
Não há nada que se compare a escrever.
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
Não tem graça
Há um tempo venho tentando ser engraçada. Descontrair, sabe? Voltar ao meu “eu” original que as pessoas conhecem. “A Palhaça”. ”A Boba da Corte”. “A Piadista”. Mas não está dando. Não estou conseguindo. Acho que todos já devem ter percebido, e todos devem estar de saco cheio se perguntando “Cadê a graça? Por que essa seriedade toda? Ela já foi mais divertida”. Eu sei, e eu entendo. Desculpem-me, mas é mais difícil do que parece.
Não vão embora. Eu hei de conseguir. Vou continuar tentando.
Para o bem da verdade, até eu estou meio de saco cheio de mim ultimamente. Eu estou me achando chata. Se eu fosse uma outra pessoa e me conhecesse agora me acharia um pé no saco e nem me daria uma segunda chance.
Mas isso há de mudar, e vocês verão. Algumas tentativas a mais e vai dar certo. Só peço tenham paciência. É uma fase, e já já ela passa. Todo mundo tem dessas coisas. Estou fora da área de cobertura, mas eu volto.
Prometo.
Não vão embora. Eu hei de conseguir. Vou continuar tentando.
Para o bem da verdade, até eu estou meio de saco cheio de mim ultimamente. Eu estou me achando chata. Se eu fosse uma outra pessoa e me conhecesse agora me acharia um pé no saco e nem me daria uma segunda chance.
Mas isso há de mudar, e vocês verão. Algumas tentativas a mais e vai dar certo. Só peço tenham paciência. É uma fase, e já já ela passa. Todo mundo tem dessas coisas. Estou fora da área de cobertura, mas eu volto.
Prometo.
domingo, 12 de outubro de 2008
De todos os outros, eu
Estou começando a ficar cansada.
Cansada de achar que posso confiar nos outros e ser apunhalada pelas costas.
Estou cansando de me machucar por acreditar nas pessoas que julgo boas e amigas.
Cansada de querer mais do que posso ter.
Estou cansando de ouvir todos me dizendo o que devo fazer e aceitar de cabeça baixa, dizendo apenas "Sim, senhor".
Estou me revoltando com o mundo, talvez.
Já cansei de ter medo e me assustar.
Cansei de me preocupar com coisas que aparentemente só importam para mim.
Estou cansada da dor que ninguém compartilha. Cansada da raiva que eu finjo não sentir.
Aviso aos navegantes: De hoje em diante não finjo mais. Não encubro mais meus sentimentos. A "Senhorita Boazinha" morreu. Não vou mais falar e fazer para agradar. Não vou omitir minhas vontades, minhas necessidades e meus sentimentos para o bem estar dos outros.
Cansei de fazer para os outros e não receber nada em troca.
Espero que essa não seja uma daquelas situações em que a gente só dá o devido valor quando perde, porque se forem começar a dar valor à Senhorita Boazinha agora vão perder seu tempo. Essa não volta mais. Está morta e enterrada, sete palmos debaixo da terra.
Ela se cansou também.
Percebi agora que eu preciso cuidar de mim. Acho que foi uma conclusão tardia, mas antes tarde do que nunca, já diriam por aí. Antes tarde do que nunca.
Cansei de todos. Cansei deles, cansei delas, cansei de vocês. Faço pelos outros e ninguém faz por mim. Chega.
Acabou essa história de pôr todos os outros antes de mim mesma.
De todos os outros, eu.
Cansada de achar que posso confiar nos outros e ser apunhalada pelas costas.
Estou cansando de me machucar por acreditar nas pessoas que julgo boas e amigas.
Cansada de querer mais do que posso ter.
Estou cansando de ouvir todos me dizendo o que devo fazer e aceitar de cabeça baixa, dizendo apenas "Sim, senhor".
Estou me revoltando com o mundo, talvez.
Já cansei de ter medo e me assustar.
Cansei de me preocupar com coisas que aparentemente só importam para mim.
Estou cansada da dor que ninguém compartilha. Cansada da raiva que eu finjo não sentir.
Aviso aos navegantes: De hoje em diante não finjo mais. Não encubro mais meus sentimentos. A "Senhorita Boazinha" morreu. Não vou mais falar e fazer para agradar. Não vou omitir minhas vontades, minhas necessidades e meus sentimentos para o bem estar dos outros.
Cansei de fazer para os outros e não receber nada em troca.
Espero que essa não seja uma daquelas situações em que a gente só dá o devido valor quando perde, porque se forem começar a dar valor à Senhorita Boazinha agora vão perder seu tempo. Essa não volta mais. Está morta e enterrada, sete palmos debaixo da terra.
Ela se cansou também.
Percebi agora que eu preciso cuidar de mim. Acho que foi uma conclusão tardia, mas antes tarde do que nunca, já diriam por aí. Antes tarde do que nunca.
Cansei de todos. Cansei deles, cansei delas, cansei de vocês. Faço pelos outros e ninguém faz por mim. Chega.
Acabou essa história de pôr todos os outros antes de mim mesma.
De todos os outros, eu.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Auto-conhecimento
Uma música que gosto muito diz em um de seus versos: “Às vezes acho fácil ser eu mesmo, às vezes acho melhor ser outra pessoa”.
Provavelmente nada me define melhor: “Às vezes acho melhor ser outra pessoa”.
Não é necessariamente uma farsa, nem um disfarce. É uma válvula de escape. Quanto mais as coisas dão errado, mais eu fujo de mim mesma, de me encarar. Não tentando fugir dos problemas em si, mas das conseqüências em mim e de como eu reajo. De como eu me trato.
Eu sei, eu admito, sou problemática. Mas pelo menos me conheço. Sei dos meus limites e sei que eu me maltrato. “Se sabe, então porque continua fazendo?”, você deve estar se perguntando. Mas é tudo muito mais complicado do que parece. Acontece que realmente parece ser mais fácil para mim, muito mais fácil, ser outra pessoa de que conseguir me refrear. Parece estranho, não? Surreal? Esquizofrênico? Sim, e eu concordo. Mas essa foi a maneira que eu criei para me defender de mim mesma. Desde criança, acho, porque não me lembro quando isso começou, mas parece que sempre foi assim e sempre será. Sempre me tratarei como sendo outra pessoa.
Lembro de quando era criança, achava que todos ao meu redor estavam mentindo para mim. Que tudo, toda a minha vida era uma farsa. Todos me enganavam. Minha família, meus amigos, todos mentiam 24 horas por dia. Uma coisa bem “O Show de Truman”, sabe? Mas sem as câmeras. Ainda não havia reality shows naquela época. Pois bem, veja que criança problemática. Não podia crescer para ser uma adulta normal.
Acho que isso demonstra bem minha inaptidão para lidar comigo mesma. Talvez inaptidão não seja a palavra correta, talvez seja medo mesmo, pura e simplesmente. Medo de ter que me enfrentar. Enfrento qualquer problema e suas conseqüências externas, mas as conseqüências que acabo por impor a mim são as que me matam. As conseqüências de decisões que eu tomei, coisas que eu escolhi fazer e que, no fim das contas, só me machucam.Talvez seja medo de mim mesma, de me decepcionar. Fingir que está tudo bem é uma das formas que eu arranjei de ignorar possíveis efeitos negativos que possam me atingir. “Está tudo bem. Estou bem. Estou ótima”, sempre digo isso, virou um mantra. Por mais que não esteja e eu saiba que está tudo errado, eu continuo tentando me convencer de que está tudo ótimo e sigo adiante assim. Como se tudo tivesse acontecido com outra pessoa. Como se eu fosse outra pessoa. Como se não estivesse machucando a mim mesma.
Quer saber? Talvez seja sim um disfarce. Talvez esteja tentando me enganar. Sei que não faz o menos sentido já que eu sei quem sou e o que faço, mas prefiro me fazer de cega e não ver que a pessoa que mais me fere sou eu. Que meu maior inimigo sou eu.
Talvez me faça de boa moça para mim mesma, para me enganar e me fazer acreditar que, na verdade, não sou eu que estou fazendo aquelas escolhas e caindo nos mesmo erros de sempre. Assim, o que sinto não é culpa minha, é de outra pessoa, uma pessoa não tão boa. Seria muito difícil acreditar que é tudo responsabilidade minha.
E assim, no final todos saem ganhando. As pessoas a minha volta, que nem percebem o conflito, e as “eus”. A “eu” culpada de tudo se livra das acusações, uma vez que a “eu” vítima finge não ter visto o rosto da ré e comete perjúrio. Analisando assim parece até engenhoso.
Acho que, na verdade, não é às vezes, não. É sempre.
Sempre acho melhor ser outra pessoa.
Provavelmente nada me define melhor: “Às vezes acho melhor ser outra pessoa”.
Não é necessariamente uma farsa, nem um disfarce. É uma válvula de escape. Quanto mais as coisas dão errado, mais eu fujo de mim mesma, de me encarar. Não tentando fugir dos problemas em si, mas das conseqüências em mim e de como eu reajo. De como eu me trato.
Eu sei, eu admito, sou problemática. Mas pelo menos me conheço. Sei dos meus limites e sei que eu me maltrato. “Se sabe, então porque continua fazendo?”, você deve estar se perguntando. Mas é tudo muito mais complicado do que parece. Acontece que realmente parece ser mais fácil para mim, muito mais fácil, ser outra pessoa de que conseguir me refrear. Parece estranho, não? Surreal? Esquizofrênico? Sim, e eu concordo. Mas essa foi a maneira que eu criei para me defender de mim mesma. Desde criança, acho, porque não me lembro quando isso começou, mas parece que sempre foi assim e sempre será. Sempre me tratarei como sendo outra pessoa.
Lembro de quando era criança, achava que todos ao meu redor estavam mentindo para mim. Que tudo, toda a minha vida era uma farsa. Todos me enganavam. Minha família, meus amigos, todos mentiam 24 horas por dia. Uma coisa bem “O Show de Truman”, sabe? Mas sem as câmeras. Ainda não havia reality shows naquela época. Pois bem, veja que criança problemática. Não podia crescer para ser uma adulta normal.
Acho que isso demonstra bem minha inaptidão para lidar comigo mesma. Talvez inaptidão não seja a palavra correta, talvez seja medo mesmo, pura e simplesmente. Medo de ter que me enfrentar. Enfrento qualquer problema e suas conseqüências externas, mas as conseqüências que acabo por impor a mim são as que me matam. As conseqüências de decisões que eu tomei, coisas que eu escolhi fazer e que, no fim das contas, só me machucam.Talvez seja medo de mim mesma, de me decepcionar. Fingir que está tudo bem é uma das formas que eu arranjei de ignorar possíveis efeitos negativos que possam me atingir. “Está tudo bem. Estou bem. Estou ótima”, sempre digo isso, virou um mantra. Por mais que não esteja e eu saiba que está tudo errado, eu continuo tentando me convencer de que está tudo ótimo e sigo adiante assim. Como se tudo tivesse acontecido com outra pessoa. Como se eu fosse outra pessoa. Como se não estivesse machucando a mim mesma.
Quer saber? Talvez seja sim um disfarce. Talvez esteja tentando me enganar. Sei que não faz o menos sentido já que eu sei quem sou e o que faço, mas prefiro me fazer de cega e não ver que a pessoa que mais me fere sou eu. Que meu maior inimigo sou eu.
Talvez me faça de boa moça para mim mesma, para me enganar e me fazer acreditar que, na verdade, não sou eu que estou fazendo aquelas escolhas e caindo nos mesmo erros de sempre. Assim, o que sinto não é culpa minha, é de outra pessoa, uma pessoa não tão boa. Seria muito difícil acreditar que é tudo responsabilidade minha.
E assim, no final todos saem ganhando. As pessoas a minha volta, que nem percebem o conflito, e as “eus”. A “eu” culpada de tudo se livra das acusações, uma vez que a “eu” vítima finge não ter visto o rosto da ré e comete perjúrio. Analisando assim parece até engenhoso.
Acho que, na verdade, não é às vezes, não. É sempre.
Sempre acho melhor ser outra pessoa.
domingo, 14 de setembro de 2008
O mundo dá voltas
Sabe aquelas pessoas que vão e quando você menos espera, voltam? Pois é... É uma situação estranha, não? Você acha que nunca mais vai ver aquela pessoa e pum! Lá tá ela na sua frente, quando você está mais despreparado. Você não espera mais ver, na verdade você já até esqueceu ela, mas ela volta... Ela sempre volta... Essas situações me pegam tão desprevenida. Essas situações me desmontam. Sempre tenho todo um discurso preparado, pronto pra quando eu encontrar com essa pessoa, mas ele sempre me quebra, é impressionante.
Todo mundo tem uma pessoa assim na vida, não? Sempre tem um que você jura que nunca mais vai ver, falar, tocar, mas toda vez que vê... Chega a ser meio inexplicável, meio surreal. Vai contra toda a lógica. Você se imagina um ser humano preparado para todas as situações, na sua cabeça tá tudo pronto, certo, roteirizado. Mas a vida prega peças. E você de repente se vê desprevenido, sem saber exatamente o que fazer, mas faz mesmo assim, sem saber se é o certo ou o errado. E depois se pergunta: "Será que eu vou me arrepender? Será que vai ser do mesmo jeito que foi antes? Será que isso vai prestar?", mas aí já é com a vida... Aquela que te pregou a peça em primeiro lugar. Aquela que está jogando com você. E você percebe que na verdade é "Seja o que Deus quiser". Tudo acontece como tem que acontecer. Sem roteiros, sem preparos, sem rodeios.
Tudo vai seguir o rumo que tiver que seguir e não adianta tentar prever ou endireitar. Não adianta querer consertar uma coisa que não necessariamente é errada. Pode não estar dentro dos padrões que você esperava ou que você tinha estipulado, mas isso não quer dizer que seja errado.
Não adianta pensar, repensar, se censurar. Não adianta escrever textos sobre isso. Nada adianta, apenas deixar as coisas seguirem seu rumo. Nem deve ser tão importante assim. Não deve valer tanto a pena. Esquecer esses acontecimentos é o melhor que se tem a fazer. É estranho? É. É inesperado? É. Vai acontecer de novo? Vai. Tenha certeza, sempre acontece.
Mas esqueça isso. Não vale pensar tanto. Não perca seu tempo, sua paciência, sua calma e paz de espírito.
Um dia vai acontecer de novo, e você vai se sentir assim novamente, então prepare-se. O mundo dá voltas. Muitas voltas.
Todo mundo tem uma pessoa assim na vida, não? Sempre tem um que você jura que nunca mais vai ver, falar, tocar, mas toda vez que vê... Chega a ser meio inexplicável, meio surreal. Vai contra toda a lógica. Você se imagina um ser humano preparado para todas as situações, na sua cabeça tá tudo pronto, certo, roteirizado. Mas a vida prega peças. E você de repente se vê desprevenido, sem saber exatamente o que fazer, mas faz mesmo assim, sem saber se é o certo ou o errado. E depois se pergunta: "Será que eu vou me arrepender? Será que vai ser do mesmo jeito que foi antes? Será que isso vai prestar?", mas aí já é com a vida... Aquela que te pregou a peça em primeiro lugar. Aquela que está jogando com você. E você percebe que na verdade é "Seja o que Deus quiser". Tudo acontece como tem que acontecer. Sem roteiros, sem preparos, sem rodeios.
Tudo vai seguir o rumo que tiver que seguir e não adianta tentar prever ou endireitar. Não adianta querer consertar uma coisa que não necessariamente é errada. Pode não estar dentro dos padrões que você esperava ou que você tinha estipulado, mas isso não quer dizer que seja errado.
Não adianta pensar, repensar, se censurar. Não adianta escrever textos sobre isso. Nada adianta, apenas deixar as coisas seguirem seu rumo. Nem deve ser tão importante assim. Não deve valer tanto a pena. Esquecer esses acontecimentos é o melhor que se tem a fazer. É estranho? É. É inesperado? É. Vai acontecer de novo? Vai. Tenha certeza, sempre acontece.
Mas esqueça isso. Não vale pensar tanto. Não perca seu tempo, sua paciência, sua calma e paz de espírito.
Um dia vai acontecer de novo, e você vai se sentir assim novamente, então prepare-se. O mundo dá voltas. Muitas voltas.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Leve.
Levanta e vai saindo, por favor.
Vai saindo.
Leva as tuas coisas também.
Levanta, por favor. E vai saindo.
E saindo leva, vai.
As tuas coisas.
Levanta.
Vai, por favor.
Leva e vai saindo.
Por favor.
Levanta e vai.
Saindo.
Vai saindo.
Leva as tuas coisas também.
Levanta, por favor. E vai saindo.
E saindo leva, vai.
As tuas coisas.
Levanta.
Vai, por favor.
Leva e vai saindo.
Por favor.
Levanta e vai.
Saindo.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
No momento certo
Um amigo que não vejo há certo tempo me disse para não desistir dos meus sonhos. Me disse que me arrependeria profundamente e que, quando tentasse retomar de onde parei, talvez fosse tarde.
Esse amigo me deu conselhos preciosos em poucos minutos, como se nunca estivéssemos passado um dia sequer sem se ver ou conversar.
Parece que adivinhou que precisava daquelas palavras. Vieram na hora certa. Acho que amigos têm dessas coisas intuitivas-simbióticas-telapáticas-sensitivas. Sabem quando a gente precisa de um empurrão, por menor que seja.
Ele me elogiou, me incentivou, me fez rir. Por fim, fez com que me perguntasse por que não nos vemos há tanto tempo.
Esse amigo me deu conselhos preciosos em poucos minutos, como se nunca estivéssemos passado um dia sequer sem se ver ou conversar.
Parece que adivinhou que precisava daquelas palavras. Vieram na hora certa. Acho que amigos têm dessas coisas intuitivas-simbióticas-telapáticas-sensitivas. Sabem quando a gente precisa de um empurrão, por menor que seja.
Ele me elogiou, me incentivou, me fez rir. Por fim, fez com que me perguntasse por que não nos vemos há tanto tempo.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Parabéns para nós!
Ontem foi aniversário do Jesus de Suspensórios!

Um aninho, gente! Quem diria? A gente nem viu passar! Um ano é bastante tempo, meu povo! Por mais que esse blog seja mais uma distração, nada sério, nenhum compromisso, o Jesus nos fez ver (falo por mim e pela Lu, porque tenho certeza que ela concorda) que a gente gosta muito disso. De fazer piadinhas, de falar besteira, de divertir os outros, de escrever. É isso que a gente quer fazer.
Aqui a gente já desabafou, já chorou, já riu, já fez piadinhas de humor negro, já falou mal de muita gente. Aqui a gente se diverte e é feliz.
E pensar que isso começou como uma piada interna, no 12º andar da faculdade, há um ano. Nem parece que já passou tanto tempo.
Since 2007
Um ano já foi. Que venham os próximos!
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