segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
E viva o espírito (de porco) natalino!
Eu sei que quase todo mundo que estiver lendo isso aqui vai me chamar de velha rabugenta e afins, mas eu tenho motivos e mais motivos para não suportar Natal. Talvez seja trauma de infância, quando toda a família se reunia e as crianças (eu inclusive) tinham que encenar um Auto Natalino diferente e mais elaborado a cada ano. Se levar em consideração que a minha relação com o cristianismo acabou no momento em que eu fui carregada pra fora da igreja depois de ser batizada, com menos de um ano de idade (o que foi bem injusto, eu não tive escolha), dá pra imaginar a minha felicidade com a aproximação do Natal e todas essas lembranças torturantes. Mas, desconsiderando os traumas, causa pra ter ojeriza dessa época do ano não falta. A começar pelo fato de que existe a obrigação de se incluir no espírito natalino. Não interessa se você gosta ou não, você não pode se livrar do Natal porque ele está em todos os lugares. É, por exemplo, aquela decoração kitsch em tudo quanto é canto, principalmente em shopping. Ai, que ódio de shopping em época de Natal. Uma árvore de plástico ridiculamente grande, com bolas penduradas, caixas de presentes vazias e mal embrulhadas, neve de isopor e uma pessoa fantasiada de velho vestido com um gorro, botas e um cajado, com duendes ao lado. Fazendo 40º e com um sol para cada um do lado de fora, me põem neve num diabo dum pinheiro? Fora que não precisa nem mencionar que não existe a possibilidade de se movimentar dentro de um shopping nessa época. Eu fujo de shoppings e redondezas. Não tenho paciência, não tenho. Decoração de Natal em prédios também me envergonham. Não sei se eu já contei pra vocês, mas eu sinto vergonha alheia. Normalmente, se a pessoa não sente vergonha por ela mesma, eu sinto. Por exemplo: Latino, Xuxa, assistentes de palco em geral e Netinho de Paula me fazem sentir vergonha alheia. Decorações natalinas em portarias de prédios também. Ou são extremamente exageradas, a ponto de quase causarem ataques epiléticos por causa daquelas irritantes luzes que piscam, ou são extremamente pobres, com uma árvore de 30 cm, com três bolinhas penduradas e um presépio do lado. Aliás, presépio em um negócio que nunca fez muito sentido pra mim.
Tem ainda o amigo oculto. Ah, o amigo oculto! Quem inventou isso merecia ser fuzilado em praça pública. A gente sempre tira alguém que a gente não gosta ou não conhece. Ou é sorteado por alguém que não gosta ou não conhece. Ou os dois. Normalmente os dois. Sempre dá um presente melhor que o que ganha, e olha que a gente sempre compra o presente do amigo oculto às pressas e sempre dá alguma coisa barata. Ah, e tem sempre um que falta e deixa um coleguinha no prejuízo. Deve ter uns cinco anos que eu não participo de um amigo oculto. Demorei mas percebi que não existe maneira de um deles acabar de forma satisfatória.
E a programação de Natal na TV? São os mesmos filmes todo santo ano. “O Milagre na Rua 34”, “Um Herói de Brinquedo”, “O Grinch”, “Esqueceram de Mim”, “Esqueceram de Mim 2” e “Esqueceram de Mim 3”. Quanta criatividade. Sensacionais também são aqueles filmes obscuros com atores desconhecidos sobre a vida de Jesus, a vida de Maomé, a vida de João, a vida de José, a morte de Jesus, a morte de Maomé, a morte de João, a morte de José e por aí vai.
E eu não queria falar não, mas vou ter que mencionar o Especial de Fim de Ano do Roberto Carlos, que provavelmente foi gravado em 1989 e é reprisado todo ano. Dizem por aí que todo ano eles gravam um diferente, mas eu não acredito não.
Eu ia reclamar ainda de ganhar pares e mais pares de meias de presente, mas como a última vez que eu efetivamente troquei presentes de Natal com mais de três pessoas foi, provavelmente, no mesmo ano em que eu ganhei meu último ovo de páscoa (quando eu ainda acreditava em Coelhinho da Páscoa e Papai Noel), não posso falar muito. Nos últimos anos eu percebi que presente é pra pai, mãe e olhe lá. Isso se eles tiverem sido bons meninos.
Bom, tudo que eu posso fazer é rezar pra dormir e só acordar no dia 26 pra comer as rabanadas, nozes, cerejas, Panetones e Chocotones. Pelo menos posso afogar minhas mágoas na comida, né?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
I want to get physical
Ouço as trombetas do Apocalipse.
Fui fazer a avaliação física e acabei sendo ludibriada a já começar a malhar: “Vamos montar suas séries logo, Ana Carolina? Aí você já pode começar o mais rápido possível”. Hm. Tá. Tá bom então.
Enquanto eu era semi-obrigada (eu podia dizer “pensando bem, nem tô nessa vibe não”, mas o rapaz era grande, não convém discutir) a fazer movimentos repetitivos e exaustivos em máquinas que lembram aprestos de tortura medieval, eu comecei a pensar sobre o significado de uma academia de ginástica.
É um lugar de martírio por natureza. A começar pela indumentária. Roupas de ginástica nunca favorecem ninguém. Cortes estranhos, cores e estampas ridículas e em geral são tão apertadas que a pessoa parece embalada a vácuo. Aí, além disso, temos o fato já mencionado de que passa-se um tempo considerável fazendo movimentos repetitivos e nada naturais, que levam invariavelmente à dor generalizada que praticamente impossibilita todo e qualquer movimento antes mesmo que se pense em realizá-lo. Obviamente, não se pode esquecer a fauna extremamente diversificada e exótica que se encontra em academias. Todos nós conhecemos bem os tipos. Estudos antropológicos esperando para serem realizados todos os dias em cada academia desse Brasil varonil. Aliás, varonil é um termo que se enquadra bem nesse tema, embora alguns desses rapazes sarados não me enganem nem um pouco. Um número razoável desses rapazes, na verdade. Muitos desses rapazes. Tá, talvez não se enquadre tão bem assim.
Então nesse ambiente de opressão psicológica e dor física você simplesmente reza para que tudo acabe logo. Você não sabe se as pessoas estão olhando para você, para sua roupa ou para sua cara de sofrimento. Você está cansado, dolorido e intimidado e só que ir embora. Mas isso não é tudo. Existe ainda o fato de que tomar banho em academia é deprimente. Sabe Deus quem freqüenta aquelas instalações. É melhor voltar para casa todo suado, com cabelo colado na testa, cara de maluco e ofegante até não dar mais do que se sujeitar ao duvidoso chuveiro de academia. Nem de chinelo. Nem de tênis. Aliás, nem com aquela roupa especial do esquadrão anti-bombas. E o pior é que a gente paga para isso tudo.
Mas eu tenho esperanças de que esses sentimentos negativos vão passar. As endorfinas vão fazer seu trabalho e me deixar feliz, e aí eu não vou mais odiar atividades físicas e tudo que lembre o assunto. Vou ser uma pessoa saudável, responsável e pela primeira vez na minha vida não vou abandonar alguma coisa no meio do caminho. Tudo isso enquanto eu uso calça de ginástica.
Foi então que acordei de meus devaneios, terminei minha via-crúcis e tentei sair o mais rápido possível de lá mas ainda ouvi ao fundo “amanhã a gente se vê, hein?”.
É né, fazer o quê?
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Telemarketing merece a morte
Vamos deixar uma coisa bem clara aqui, mocinha-da-Claro: Você vem tentando me ligar desde sábado, e quando finalmente consegue, é estúpida. Acredito que, se você está me importunando, você deveria ser, para dizer o mínimo, educada.
A conversa se seguiu assim:
Eu: "Alô?"
Mocinha-da-Claro: "Boa tarde, eu sou fulana de tal da Claro, com quem eu falo?"
Eu: "Ana Carolina"
Mocinha-da-Claro: "Senhora Ana Carolina, estou ligando para oferecer alguns serviços e promoções..."
Eu: "Obrigada, mas eu não estou interessada"
Mocinha-da-Claro: "Mas como você não está interessada se você ainda nem sabe o que é?"
Eu: "Estou satisfeita na minha companhia, não pretendo trocar."
E então ela desliga o telefone na minha cara.
Gata, eu não tenho culpa se você escolheu um emprego escroto que não te satisfaz. Não posso fazer nada se você está de mal humor. Não tenho nada a ver com a sua vida, não posso te julgar. Mas a partir do momento que você me liga, interrompe seja lá o que for que eu estou fazendo e começa a falar de forma ininterrupta sobre alguma coisa que eu não pedi pra saber, quem deveria ficar irritada era eu, e não você.
Estamos entendidas? Espero que sim, porque eu também sei ser bem grossa quando eu preciso, ok?
domingo, 17 de maio de 2009
Terror de Pergunta Mongolóide
Isso é uma coisa que me tira do sério. Qualquer resposta mais atravessada, qualquer olhar de desaprovação, qualquer leve elevação de voz é motivo para ouvir: “Ih, tá na TPM?”. Por quê? Por que é impossível uma mulher estar mal humorada pelo simples fato de estar mal humorada? Por que minha irritação deve obrigatoriamente ter alguma relação com meu estado hormonal? Caso vocês não saibam, mulheres também são seres humanos e, consequentemente, também estão sujeitas às desventuras e infortúnios de todo dia.
Ela pode ter levado uma multa, ter brigado com o chefe, ter recebido o troco errado na padaria. Acontece. Acontece com os homens também, alguém pergunta a um homem irritado: “Ih, não come ninguém há tempos?”, por um acaso?
A questão é: eu, por exemplo, não tenho variações de humor na TPM, pelo menos não que eu já tenha percebido ou que tenham me avisado. O meu grande problema é a cólica. O descolamento do endométrio, é isso que me mata. Às vezes parece que não são cólicas que eu estou sentindo, são contrações. Parece que eu estou em trabalho de parto. Fico deitada em posição fetal, não consigo me mexer e choro. Choro como um bebê. Isso sim me irrita. É isso que acaba comigo. Acho que se meu humor muda é por isso: raiva da dor que eu sinto. Raiva da dor e das pessoas que assumem que meu mau humor é causado por variações hormonais decorrentes do meu ciclo menstrual.
E antes que vocês perguntem, só para me irritar mais: Não, não estou na TPM.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Malditas aves
Certa noite, abro a cortina do meu quarto e tomo um dos maiores sustos que já tomei em toda minha existência. Havia uma coruja de uns 40 cm na janela do 901, me encarando ameaçadoramente. Me encarando, com certeza, ela estava para mim olhando com aqueles olhos amarelos, fixos e psicóticos. Por favor, visualizem a cena e compreendam que não é frescura minha, visualizem: você vem, lépido e fagueiro, abre a cortina e VOILÁ! Uma coruja enorme, com os olhos amarelos e medonhos, fixos em você que não estava esperando nada daquilo.
Pois é. Os vizinhos dos 901 resolveram colocar aquele animal assustador e intimidante para espantar os pombos. Acontece que o único ser assustado e intimidado com aquela aberração sou eu. Sempre esqueço daquela ave demoníaca e me assusto toda vez que olho pela janela.
Agora, me diz. Por um acaso os pombos foram embora? Não, claro que não. Se bobear já até cagaram na cabeça da coruja. O que está indo embora é minha sanidade.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Animais "Racionais"
É, a cada dia que passa eu gosto menos de gente e mais dos animais.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Teste de Paciência
(Se eu desejo enfiar o dedo no seu cu, qual dígito eu disco?)
"_Se deseja falar com um de nossos consultores? disque 9"
(Consultores, é muito bom! hahahaha... antigamente eram Atendentes, eles estão levando mesmo à sério esse negócio de motivar funcionários... E porque o que eu sempre desejo, é sempre a última opção que essa infeliz fala?)
"_para sua segurança essa ligação está sendo gravada!"
(aaaah! que ótimo. Gravada? aproveita e grava isso: O ATENDIMENTO DE VOCÊS É UMA MERDA. gravou?? ahh, que bom. sabe como é, né? é pra minha segurança.)
"_Boa tarde. Aqui quem fala é a consultora Silvia."
(hahahaha... consultora!)
"_Com quem eu falo?"
"_Boa tarde, aqui quem fala é Luana. Sou filha da Marcia, que é a titular dessa linha. Eu estou ligando por ela."
"_ah sim. pois não, Senhora Marcia..."
"_não. Luana."
"_Ah, sim. desculpe"
"_Eu gostaria de saber qual foi o valor da fatura do mês de agosto, por favor."
"_o valor da fatura?"
"_é. o valor da fatura."
"_ ..."
" do mês de agosto."
"_hmm. valor da fatura?"
"_é. no caso, quanto custou a conta."
"_Ah, sim. só um momento, senhora."
*5 minutos*
"_Senhora Marcia..."
"_!!!!!!!!!!!!!!!" (tá, eu desisto).
"_estou verificando aqui, e vejo que a senhora efetua muitas chamadas de longa distância, temos um pacote que poderá estar diminuindo o valor da sua fatura... "
"_tá ok. mas eu só quero saber o valor da fatura desse mês. Quero saber quanto foi o valor da fatura do mês de agosto." (eu vou me matar!)
"_o valor da fatura? ah sim. só um momento."
* 7 minutos depois.*
"_Senhora. só um momento."
*3 min*
"_ obrigada por aguardar, senhora Marcia."
( é Luanaaaaaaaa, PORRA!)
"_Aham..."
"_Senhora, estou verificando aqui... o pagamento foi efetuado. não há pendências."
"_sim, eu sei. eu só quero saber o valor que foi pago." (eu-só-que-ro-sa-ber-o-va-loooooooooooor!!! peloamordedeus!)
"_ah. sim. só um momento."
(Luana. pense em filhotes de pandas. filhotes. pandas. gordinhos. peludos....")
"_obrigada por aguardar, senhora Marcia."
"_A-HAAAM"
"_a fatura do mês de agosto foi de 393,48 reais."
"_obrigada." (GRAÇAS A DEUS. INCHALÁ. MUCHO ORO, é Jeosuis de Nazarééééé!Aleluia! Grória a Deurrrrrr! Eu quero que vocês repitam comigo: É MARAVILHOSO! CONSELERO! DEUS FORTE! PAI DA ETERNIDADE! E PRÍNCIPE DA PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAZZZ!!)"
"_a VIVO agradece a sua ligação e lhe deseja um bom dia."
"_a senhora Marcia aqui (haha) é quem deve agradecer. obrigada."
*ps: definivamente, a VIVO também levou à sério, a lei de contratação de pessoas com necessidades especiais.
domingo, 27 de julho de 2008
Ambulantes Cantores
Quero muito saber, o porquê dos vendedores ambulantes berrarem.
Eu tenho um ponto. Vou explicar.
Eu sei que eles estão vendendo coisas. Vendendo BEM caro, aliás.
Mas porque diabos eles berram tanto, Meu Deus? E porque esses berros são cantados?
É um "Olhaaa a ÁáÁáÁágua!!!" daqui. Um "Biiiiiiiisssscooooooooiiiito Grobooo" dali.
Isso quando eles não dão uma lista de mil coisas, acompanhados de um maldito sininho, que leva qualquer um com audição, à loucura, "Queeeeiiijo Coalhooouu, Cocáááá-Coláááá, ÁÁÁááááguaaa, MatêÊêÊêÊê!!"
Porque? PORQUE FALAR CANTANDOOOOOOOO?
É irritante, desagradável e absolutamente desnecessário.
Desnecessário porque se todo mundo berra, ninguém escuta ninguém, e teoricamente nenhum ambulante se diferencia do outro. Se essa era a idéia principal,"se diferenciar" se não era, me desculpem mas não faz o MENOR sentido.
Eu sou super à favor de ambulantes diretos. Dos que chegam e sim-ples-men-te falam: "Olha moça, eu tô vendendo água, matte, coca-cola e biscoito grobo. Quer?" "Não?" " Valeu aí."
Pronto. Acabou. Mais simples, mais direto e mais silencioso.
De hoje em diante, eu só compro em ambulantes mudos.
Gente chata da porra. Vai berrar no inferno.
domingo, 29 de junho de 2008
Arre...
E então percebi que todo mundo se sente assim. Qualquer pessoa acorda um dia de manhã querendo matar o primeiro que aparecer pela frente.
Achei isso muito bonito, muito poético. É isso, esse sentimento implacável, que une eu, você, um eslovaco e aquele cara que esfaqueou uma cabeçada no Japão. Somos de culturas completamente diferentes, línguas, costumes, rostos, mas a irritação todos nós, veja bem, TODOS nós sentimos.
Por um momento eu fiquei razoavelmente mais calma já que percebi que não é só comigo, que não estou sozinha nesse barco. Mas logo me irritei de novo porque um infeliz estava atrás de mim falando muito alto e esbarrando na minha cadeira o tempo todo. Tenha santa paciência.
Isso me levou a outro pensamento: A rapidez com a qual as pessoas conseguem tirar os outros do sério, mas isso é outro assunto sobre o qual eu não vou falar agora.
Tô sem paciência para isso.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Morre Yves Saint Laurent
Mesmo quem não gosta, não entende ou desconhece completamente qualquer coisa que tenha a ver com moda já, pelo menos, ouviu falar nele. Uma lenda.

Fica aqui a nossa homenagem e o primeiro post encheção de lingüiça em 3 dias.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Só pode ser praga
Ontem descobri que não sabia onde se encontrava meu CPF. Bateu um desespero. Hoje pela manhã corri para a casa do papai para ver se estava lá. Não estava. Show dos bailes, se eu perdi isso na rua e alguém (leia-se algum meliante) achou, já devem ter aberto 2386 contas e 35745 crediários no meu nome.
Bom, já que não está na minha casa, nem na casa do papai, vamos tirar uma segunda via. O que significa ir ao banco. Ao tomar esta decisão, me desfiz de todos artefatos de metal que eu poderia ter comigo porque eu tenho horror àquelas portas giratórias que sempre (veja bem, eu disse s-e-m-p-r-e) travam comigo. Peguei meus documentos, meu dinheiro e minha chave. Só. O celular ficou em casa, recarregando porque a bateria estava acabando. O banco fica a 5 quarteirões da minha casa, em dois pulos eu tô de volta. O que poderia acontecer de ruim?
O que?
Para começar que, só de sacanagem, o detector de metais da tal porta giratória estava desligado. Só porque eu fui preparada para lidar com ele. Temi pela minha segurança, porque o tempo todo eu pensava "E se alguém tenta entrar armado para assaltar o banco agora? Consegue né? Caceta, consegue! Minha Santíssima Trindade, tô lascada! Adeus mundo cruel!". No fim das contas, ninguém entrou, mas poderia ter entrado.
Depois, foi só eu botar os pés fora do banco que o céu desabou. Mas era muita chuva. Acho até que eu vi Noé passar com a arca, jogando água nos outros no melhor estilo motorista de ônibus.
Acontece que eu tenho horror a chuva. Odeio roupa molhada. Não suporto. Então, num diálogo interno: "Murphy, não bastava ter sumido com meu CPF? Essa agora? Qual é o seu problema comigo?" Fiquei esperando do lado de fora para ver se a chuva cedia ou se aparecia algum rapazote gritando "Guarda-chuva na minha mão é 5".
Não aconteceu nem um nem outro.
Pensei: "Há! Ligo pro papai, ele está aqui perto e de carro. Eu sou uma gênia!". Não, não sou. Meu celular estava em casa. Carregando. Sozinho. Longe de mim.
Bem, me sobrou ir para casa assim mesmo, e eu fui. Quando cheguei, uma mocinha na portaria me pergunta "Tá chovendo muito?". Olha a pergunta que a infeliz me faz. Eu estava completamente molhada, o barulho do vento fazia parecer que o Katrina estava chegando e aquela água toda caindo do lado de fora era da Baía de Guanabara, que estava fazendo um protesto pacífico contra o aquecimento global.
Passei direto sem nem responder, mas a vontade era de dizer "Não, minha senhora, é que eu sou reserva da equipe de salto ornamental e fui chamada às pressas".
Agora, cá entre nós, tenho certeza de que isso foi praga da galera que pagou 60 euros nos guarda-chuvas em Roland Garros, só pode.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Descobri que sou não vivo sem internet
Minha internet começou a dar problema: Cair e reconectar, cair e reconectar, cair e reconectar. Liguei para a Velox e eles me mandaram tirar o cabo e botar o cabo, tirar o cabo e botar o cabo, tirar o cabo e botar o cabo, até que a internet caiu de vez e nunca mais voltou. Foi então que eu descobri: Não sei mais viver sem internet. Não sei. Só de imaginar que eu ia ficar sem internerd por tempo indeterminado, sentia calafrios. Mas então uma alma bondosa (leia-se rapaz que veio instalar o wi-fi) apareceu e me salvou da dor infinita.
A internet voltou (um dos 274693 rapazotes da Velox com os quais eu falei disse "Deixe-me passar um pouco de conhecimento sobre wi-fi para a senhora...". HÁ! O problema não era o wi-fi! Nem o meu "conhecimento" sobre ele! E eu não sou senhora! Lero lero bunda!), eu estou aqui novamente e voltei a ser feliz. Só preciso me lembrar do que eu fazia antes da existência da internet para, quando isso acontecer novamente, eu conseguir passar pela crise de abstinência. Algo me diz que era alguma coisa do tipo, sei lá, brincar de Barbie, que provavelmente não me ajudaria muito, mas posso estar errada...
Ei, será que dá para brincar de Barbie online?
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Haja paciência!
Esse maldito Windows Vista me sacaneia sempre que tem oportunidade. Um exemplo é a Configuração do Verificador de Segurança Windows Live OneCare.

Toda santa vez que alguém me manda um arquivo pelo MSN aparece essa caceta de janelinha e demora hoooooooooras carregando. Não acaba nunca. Ao contrário da minha paciência. Dependendo do tamanho, demora mais para verificar qualquer coisa que esse troço verifica do que para baixar o arquivo.
Só queria saber para que serve isso. Sério, qual é a utilidade? Duvido que ele verifique a segurança do arquivo. O que ele verifica é até quando ele consegue encher o meu saco, isso sim.
Quarquer dia desses eu me irrito sério e vocês vão ler na manchete do Meia Hora "Doidaraça de Nikity surta e mete bala em Bill Gates".
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Teletransporte, já!
Sabendo bem como andam os engarrafamentos, terça-feira passada eu saí de casa às 6:40hs. Isso. 6:40hs da manhã. Isso é hora de algum ser humano que se preze sair de casa?
Pois bem. Às 7:40hs eu ainda não tinha entrado na Ponte Rio-Niterói. Sabe quanto tempo demora da minha casa até a Ponte normalmente, sem trânsito? Uns 15 minutos. E eu demorei quanto? Uma hora. UMA HORA! Jesus, Maria e José! Uma hora? Eu já estava tão deprimida que se o ônibus que eu estava se movesse mais de três metros de uma só vez, uma lágrima escorria de tanta felicidade: "Três metros, gente! Três metros! Faltam só 13,997kms para acabar a Ponte! Em 2032 a gente chega na Perimetral!".
Cheguei na faculdade às 8:30. Adiantou sair de casa quase antes do sol nascer?
Na terça anterior, estava voltando para minha casinha, algo em torno de 14hrs, 14:30hrs. Dou um picolé de abiu para quem adivinhar o que aconteceu. Um engarrafamento que parecia ir do Rio de Janeiro ao Espírito Santo. Gente, terça-feira, 14hrs? Tudo parado? Sem motivo? Se alguém tivesse batido, tombado, capotado ou se a Ponte tivesse desabado, tudo bem! Eu entendia. Mas sem motivo?
Sério, eu acho que deveriam construir uma outra ponte, do lado dessa. Pronto, fica uma para ir, outra para voltar. Essa já não está mais funcionando.
Mas não é só a Ponte, é o Rio de Janeiro inteiro. E Niterói. Trânsito que não acaba mais. Eu estaria começando a me sentir em São Paulo se São Paulo não fosse tão feio.
Por isso eu sou a favor da invenção do teletransporte.
Por que a demora? Não deve ser muito complicado. A gente já criou bombas atômicas, bronzeamento artificial e mojito. Não pode ser muito mais difícil que isso. Será que o problema é dinheiro? Eu ajudo a financiar. Nem que eu tenha que vender um rim, parte do fígado e o útero, mas por favor, andem logo com isso!
Vamos lá! Unam-se a mim na campanha Teletransporte, já!
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Mute.
Tudo bem que vocês não vão acreditar. Luana? A Rainha das piadinhas trocadalhas? Finalmente, fez uma piada boa? Mas enfim.
Preciso espalhar esse acontecimento. Foi muita presença de espírito, e pelo que eu me conheço, eu nunca mais na vida vou conseguir peripécia como essa.
Pois bem, fui a uma buatchy no último sábado. (Não vou dizer qual. Porque eles não me pagam porra nenhuma pra isso).
Havia uma fila, tão, mas tão grande, que pensei que fosse distribuição de comida para somalianos esfomeados.
Já estava de pé há uns 45 minutos.
Já estava puta e já não sentia meus pés.
Mas até então, eu estava me controlando e amenizando minha dor com minhas piadinhas-estilo-a-praça-é-nossa, e conseqüentemente constrangendo meus amigos. Acho bem legal. Muito válido.
Em dado momento, um rapaz que estava atrás de mim na fila, (e quando eu digo atrás, é atrás do meu ouvido. Sem trocadilhos, por favor.) resolve tirar uma dúvida.
Ele vira pro segurança e pergunta aos berros:
“_OoOoOoOOOOOH MOOOOOÇOOOOOOOOOOO!! TEM GUARDA-VOLUME AÍ DENTROOOOOOOOO?????
O segurança muito solícito e comunicativo respondeu:
“_não”.
O menino:
_AaAAaAAAAAHH!!!!! E O QUE EU FAAAÇO COM O VOLUUUUME??
Eu respondi:
“_Abaixa. Tipo: muito. Antes que eu fique surda.”
Foi uma presença de espírito, que eu nunca mais vou ter na minha existência. Tudo bem. Já fiquei feliz.
Mas o que eu queria saber mesmo, qual é a dessa mania de falar gritando?
Ainda escuto a voz do rapaz, ecoando no meu cérebro.
Mas foi bem divertido. Todo mundo riu, inclusive o segurança e precisamos admitir, “fazer um segurança rir”, é quase como ganhar na loteria.
Por um instante me orgulhei de ter feito tal piadinha e conseguir fazer o segurança rir, depois me arrependi. Faltavam uns três dentes naquela boca.
Tenho visões durante a noite. Uma boca banguela gritando “VOLUUUME” me persegue.
Bem desesperador.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Não é o seu título, mas pode ser um rascunho.
Sei o que você sente. Porque venho sentindo a mesma coisa.
Na verdade, é uma sensação absurdamente estranha, e absolutamente difícil de se descrever.
Eu também tenho procurado as respostas, mas quanto mais eu penso, mais perguntas aparecem. Mais dúvidas, mais insegurança, mais choro. Também tenho chorado. Muito. Inclusive enquanto te escrevo isso.
Tenho chorado por motivos que talvez eu nem saiba enumerar. Pelas coisas que eu queria estar fazendo, pelas coisas que eu sonho em fazer, e que cada vez estão mais longe. Tenho chorado por não saber o que fazer do meu amanhã. E por outros problemas que tenho passado, e que você sabe.
Não te falei nada disso, porque eu tô tentando com todas as minhas forças manter meus pés no chão, bancar a durona e repetir pra mim mesma, “que no final tudo vai dar certo”.
Bancar a pessimista não faz muito o meu tipo. Nem o seu. Muito pelo contrário, tenho certeza que somos exatamente o oposto disso.
Olha, sei que tá tudo parecendo muito complicado, tudo muito estranho, como se estivesse andando pra trás. Quero que saiba que eu tô aqui com você, sentindo a mesma coisa e querendo a mesma coisa... expulsar tudo isso daqui, expulsar isso que não pertence a gente. E quando digo, “não pertence”, é porque não pertence mesmo. Eu e você somos bom-humor, gargalhadas, vamos do deboche e sarcasmo aos ataques de bobeira, mas também somos responsabilidade e confiança. Vamos do sonho à realidade.
Acho que juntas, a gente consegue. Somos muito mais do que imaginamos, podemos ser muito mais do que queremos ser.
Te amo.
(Insira título aqui)
Chorei pelo estágio/emprego que não consigo arrumar. Chorei pela decepção, vergonha e sentimento de inutilidade. Chorei pelo PGE que nem começou e já está dando errado. Chorei por estar quase me formando e começar a não ter certeza de nada, nem do que eu quero, nem do que eu não quero, nem do que eu sou. Chorei de saudade do meu avô maravilhoso. Chorei de saudade de pessoas queridas que moram do outro lado do mundo. Chorei pela volta de sentimentos ruins que não sentia há muito tempo. Chorei por sonhos que não vão se realizar. Chorei pelas expectativas que criei nos outros e em mim mesma.
Sentei e chorei.
E percebi que está ficando cada vez mais difícil fingir que está tudo bem.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Pára com essa porra!
Não faz o menor sentido para mim um ser humano ficar em um engarrafamento (ou uma pequena retenção, por menor que seja) buzinando enlouquecidamente durante horas, até se mover. Buzina não é acelerador! Apertar esse troço ininterruptamente não vai fazer carro nenhum andar! Nem o seu, nem o da frente, nem o da frente do da frente, nem o da frente do da frente do da frente! É difícil entender isso? Pai Celeste!
Na minha opinião, buzina tinha que ser que nem airbag: Usou uma vez, aquela bodega fica inutilizada e você tem que pagar muitos dinheiros para trocar. Aí eu queria ver todo mundo buzinando a torto e a direito.
Outra opção é abolir de vez as buzinas. Um carro te fechou? Alguém atravessou correndo na sua frente? Põe o cabeção para fora da janela e grita! Vai assustar todo mundo, vão achar que é tiroteio, vai ser muito mais eficaz.
E o pior é que buzina é igual a bocejo. É só um idiota começar que todo mundo imita, parace um bando de miquinhos adestrados. E sempre que isso acontece eu penso (quando não, educadamente, grito): "Ganhou um brinquedinho novo? Pena que não solta raio laser.", ou "Tá vendendo a buzina, animal?" e a minha favorita "Enfia na bunda e peida para ver se apita!".
Mas não venham me dizer que é exagero, que eu sou estressada ou que eu estou na TPM. Eu duvido que alguém em sã consciência goste dessa bagaça. Ou vocês por um acaso conhecem alguém que diga "Nossa, adoro buzina! Para ouvir na hora de dormir então! Só não é melhor que choro de bebê, britadeiras e música peruana!". Não, não conhecem. Não conhecem porque não existe ninguém assim. Ninguém gosta de buzina. Só essa cambada de boçais que estão buzinando desde que eu comecei a escrever esse texto.
DÁ PARA PARAR?
Gradicida.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Sinceramente? Arrumem o que fazer!
Eu: -Olha, sem querer ser grossa, mas... Fui eu?
Amiga: -Ehm... Não...
Eu: -Então quero mais é que se f***!
sexta-feira, 7 de março de 2008
Quero me mudar para a Finlândia!
Pronto, falei.
"Finlândia? F-i-n-l-â-n-d-i-a? Lapônia, Papai Noel, Kimi Räikkönen, renas? Finlândia? Por quê? Por quê, Senhor? Qual é o problema dessa louca?", vocês devem estar se perguntando. Mas eu respondo, não se preocupem. E logo, logo tudo vai fazer muito sentido.
Vejam bem: Estamos no Brasil. Mais precisamente no Rio de Janeiro. Mais precisamente nos portões do inferno. Aqui é quente. Mas assim, beeeeem quente. E esse calor sub-saariano muito me incomoda. Neste momento, por exemplo, o termômetro marca 32º.
Na sombra.
Com vento.
Com o sol se pondo.
E tempo nublado.
Isso porque o outono está logo ali, virando na esquina.
Isso não pode continuar assim. Já cheguei à conclusão de que eu não nasci para isso. Definitivamente, não. E com essa história de aquecimento global, então? Como fica?
Então tive a genial idéia de me mudar para a Finlândia. Terra bucólica, paisagem diversificada, fauna e flora riquíssimas. Um lugar que tem o Sol da Meia-noite deve ser deveras interessante, convenhamos! Que idéia genial!
Vou pedir subsídios ao governo e tudo. Já que o Fome Zero não deu certo, o Temperatura Zero deve dar. Pensei em não ser tão drástica e em vez de me mudar permanentemente, simplesmente migrar. Assim, que nem os bichos. No verão brasileiro, pimba! Vou eu pra Finlândia! Depois eu volto pra terra que tem palmeiras onde canta o sabiá. Bom, a terra que tem palmeiras já basta.
Só tem um pequeno problema que eu ainda não consegui contornar: Quando é verão aqui é inverno lá. E eu acredito que o inverno lá não deva ser muito agradável. Dizem por aí que faz -20º, mas eu espero que seja tudo intriga da oposição. Até porque, que tipo de ser humano moraria em um lugar onde o sol não se põe por 2 meses e que, ainda assim, faz -20º?
Bom, meu projeto ainda tem algumas falhas e lacunas, como vocês podem ver, mas eu não desistirei dele. Hei de arranjar uma solução para esse impasse.
Aceito Sugestões.
